Casa da Caridade, 06 de junho de 2010. Não Perca!

"Cada dia a Natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome." Mahatma Gandhi

terça-feira, 1 de junho de 2010

Terra, Companheira de Viagem

“Ao mesmo tempo que os seres vivos progridem moralmente, os mundos que eles habitam progridem materialmente. Quem pudesse seguir um mundo nas suas diversas fases, desde o instante em que se aglomeraram nos primeiros átomos que serviram à sua constituição, vê-lo-ia percorrer uma escala incessantemente progressiva, mas por graus insensíveis a cada geração, e oferecer aos seus habitantes uma morada mais agradável, à medida que estes avançam, eles mesmos, na senda do progresso. Assim, caminham paralelamente o progresso do homem, o dos animais seus auxiliares, dos vegetais e da habitação, porque nada é estacionário na Natureza.”
Esse texto que encontramos no capítulo III de O Evangelho segundo o Espiritismo, oferece-nos farto material para refletirmos acerca de nossa relação com o planeta.
É interessante destacar que o planeta também progride, e de acordo com avanço de seus habitantes. A vida dos seres na Terra, e em especial a do homem, manifesta no ambiente o estado de sua perfeição. Não cabe ao planeta, todavia, apenas registrar as consequências da moral de seus habitantes, como uma lousa que risca estaticamente os registros de uma classe escolar. Ele, que providencialmente serve de espelho para o homem que age incessantemente, também vive e tem sua dinâmica numa escala de progresso.
O homem, quando concebido como ser espiritual na experiência transitória da matéria, reveste-se de maior responsabilidade com o ambiente em que vive a bênção da encarnação. O planeta não é uma prisão para o espírito imortal, mas uma das moradas que o Pai gentilmente lhe preparou para mais uma escala de aproximação com Ele. Compreendido como colaborador dos desígnios da providência, cabe ao homem a tarefa de oferecer aos habitantes da Terra uma morada sempre mais agradável, inclusive às novas gerações.
Dedicar-se à transformação interior num esforço de crescimento espiritual pressupõe a etapa de exteriorização dos valores alcançados. O avanço moral a que o homem acredita ter conquistado deve ser provado na sua relação em família, no convívio comunitário, nos modelos de desenvolvimento social bem como nas marcas que imprime no ambiente que ocupa. Mais do que ver o homem como centro das coisas, enxergar a Natureza com o homem como parte integrante e ativa.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Cabe à Casa Espírita Ações Ambientais?

“Fé raciocinada é a que encara a razão, face a face, em todas as épocas da humanidade”.

A frase acima, de Allan Kardec, revela-nos a estreita relação que a fé deve manter com a lógica, com o bom senso e, por que não dizer, com a realidade. Faz-nos lembrar do equilíbrio que deve haver, segundo Emmanuel, entre a moral e a intelectualidade, como força propulsora da evolução do Espírito, esteja desencarnado ou na experiência transitória da matéria.
Essa relação, todavia, não foi registrada ao longo do tempo em diversos momentos. São inúmeros os exemplos de perseguições a personagens da nossa história que, com base em dados científicos, procuraram enriquecer a humanidade de informações que ampliassem seu conhecimento das coisas, do micro ao macro cosmo. Como se a compreensão da Natureza e do Universo distanciasse o homem de Deus. Numa cena mais ampla de acontecimentos, isso terminou por distanciar a ciência da religião, como movimentos antagônicos.
Hoje, não obstante o avanço do conhecimento e a consequente resposta a muitas questões que permitiram ao homem exercer seu papel de co-criador, ainda ecoam resistências com adornos religiosos. Por ignorância ou por condução do saber, muitos ainda não reconhecem no panorama social a manifestação dos desígnios da Providência nem, por outro lado, a exteriorização do nosso nível de relação com Deus. A maneira exploradora e egoísta com que agimos na Natureza, obra prima do Divino, reflete a distância que ainda mantemos Dele. Dar as costas à terra e contemplar o céu não altera esta posição.
O Espiritismo, com seu conteúdo libertador, e assim o é por estimular o conhecimento da verdade que, como disse o Cristo liberta, alicerçado na razão científica, traduzindo-a em atitudes que alinhem o homem com as Leis Morais, aproximando-o por consequência ao Seu Criador, esclarece-nos que os movimentos que fazemos em sociedade refletem o estado de nossa espiritualização. Esta se manifesta não só quando fazemos guerras ou vivenciamos grandes catástrofes, quando concentramos riquezas absolutamente supérfluas ou não enxergamos a criança drogada nas ruas, mas também quando jogamos um lixo pela janela do carro ou não nos incomodamos com os atentados contra a Natureza, da qual somos parte. Aproximar-se de Deus, pois, não dispensa a íntima relação com Sua obra. Mais do que estar sentando à Sua direita, estar a Seu serviço reflete a confiança em nós depositada, como colaboradores de Seu reino.
Reflitamos, então, nas atitudes de cada dia, visto que o tempo não pára e é recurso esgotável, como o é a Natureza.

domingo, 23 de maio de 2010

Espiritismo e Ambiente

Com que fim Deus concedeu a todos os seres vivos o instinto de conservação?
- Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Depois, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.

Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?
- Sim, e se ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. É por isso que faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.

Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?
- É que o homem a negligencia, o ingrato, e no entanto ela é uma excelente mãe. Frequentemente ele acusa a Natureza pelas conseqüências da sua imperícia ou da sua imprevidência.(...)

O conteúdo acima não foi extraído de um tratado recentemente escrito acerca da relação do homem consigo mesmo e com o planeta ou a Natureza, frente às ameaças de desequilíbrio ambiental ou das desigualdades sócio-econômicas. Foram publicadas em 1857 por Allan Kardec e constituem as perguntas 703 a 705 de O Livro dos Espíritos.
Estamos diante da atualidade do Espiritismo. Hoje, contudo, podemos compreender a abrangência de seus postulados, ante as novas questões geradas pela sociedade e suas maneiras de se relacionar consigo mesma e com o ambiente, do qual faz parte.
Certamente no passado as colocações acima foram devidamente contextualizadas na realidade da época. Nos dias atuais se revestem de um teor ampliado, perante a urgência de definirmos novos rumos para a história do planeta com seus habitantes.
A Doutrina Espírita também aborda o tema Ambiente, como não poderia deixar de ser. Cabe-nos como postulantes de seus princípios estudar, compreender e aplicar seu conteúdo. Entender as coisas na ótica do Espiritismo representa levar em conta a inter-relação entre os dois planos da vida, sempre. Isso nos permite ler a realidade numa linguagem mais rica de dados, num horizonte mais amplo de fatos que se encadeiam e dão sentido aos acontecimentos.
Com sua constituição trina, harmonizando ciência, filosofia e religião, o pensamento espírita coloca o homem diante de sua própria história.
Como diz a resposta dos Espíritos à questão 703 acima, ao homem é dado o poder de colaborar com a Providência Divina. Possivelmente quando Jesus anunciou o “vós sois deuses” já queria desenvolver a consciência desse compromisso do homem, criado à semelhança do Pai.
Como espíritas, pensamos que é oportuno construirmos o conhecimento da Doutrina aplicada às questões ambientais. Pois como cidadãos há posições a tomar, que devem repercutir nossa compreensão da vida na sua dinâmica imortalista. Como habitantes do planeta é inestimável entender seus movimentos, e se o fazemos numa leitura na dimensão do Espírito, o faremos mais amplamente. Como integrantes da cadeia de seres vivos imersos na Natureza, é emergente a sensibilização com suas leis, refletivas da concepção divina do Universo.
“Espiritismo e Ambiente” é o tema central da primeira edição do nosso Encontro. Possamos desdobrá-lo no formato de atitude pela conservação do planeta e da vida que nele habita.

Por que o Encontro?

A Casa da Caridade, através de sua Coordenação de Estudos, numa ação que busca um novo desenho para suas estratégias de facilitar uma melhor compreensão do Espiritismo por parte de seus membros, em primeiro plano, pensou na criação de um fórum de estudos e discussões da inserção do pensamento espírita nas questões contemporâneas, que muito bem refletem os movimentos da sociedade, na construção de sua história. Na ótica espírita essas questões obviamente abordadas nas dimensões física e espiritual.
Lembramos de Herculano Pires, quando disse que o Espiritismo é um grande desconhecido, inclusive para os espíritas. Também de Emmanuel, que afirmou ser a melhor contribuição dos espíritas para com a Doutrina que abraça, a sua divulgação. Pois bem. Conhecer o Espiritismo talvez seja um estado à frente de “saber” do conteúdo de suas obras básicas.
Kardec dizia que era preciso a transformação interior da pessoa e a reforma das instituições sociais para o estabelecimento de uma nova ordem. Compreender o Espiritismo, pois, como ferramenta que suceda a nossa decisão de melhorar-se, deve passar necessariamente pela compreensão de seus postulados aplicados na organização social que criamos e mantemos dinamicamente na história. Como não vivemos isolados, e para isso nos dotou o Criador de inúmeras faculdades, e como nossa relação com o ambiente é ostensiva, consciente ou não, faz-se imprescindível identificar a natureza de nossas ações cotidianas na sociedade e suas respostas que interferem nos conceitos que vamos estabelecendo ao longo dos dias.
Reservarmos, pois, um dia para a reflexão em grupo acerca do pensamento espírita aplicado na contemporaneidade é a proposta que nos fazemos com a realização do Encontro Espiritismo e Atualidade. Sem pretensões que visem alongar o passo a que as nossas pernas são capazes, nem tampouco com a disposição de potencializar o acanhamento que saboreamos muitas vezes ante à discussão dos destinos que nossos passos vão seguir, é que nos enchemos de motivação para a descoberta, num movimento contínuo, do que somos capazes de realizar, lembrando da assertiva de Jesus quando nos revelou o “vós sois deuses”.
Estejamos todos, então, no dia 06 de junho, em torno do tema “Espiritismo e Ambiente”, dando início às edições de nosso Encontro.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

PROGRAMAÇÃO

08:00h – Credenciamento

08:30h – Vídeo: “A Ilha das Flores”
Apresentação e Comentário: Fabrício Carvalho

09:15h – Mesa Redonda
Tema: “Planeta Terra, uma das Moradas do Pai”
Expositor: Augusto Padilha
Debatedores: Marcos Alencar e Claudia Calheiros

10:30h – Intervalo

10:45h – Painel
Tema: “Lei de Conservação aplicada ao Ambiente”
Expositor: Luís Jorge Lira Neto

12:00h - Almoço

14:00h – Oficina
Tema: “Reciclando Materiais e Atitudes”
Facilitadoras: Dalva Gomes, Claudia Santos e
Clarissa França

16:15h – Intervalo

16:30h – Painel
Tema: “Casa Espírita e Ações Ambientais”
Expositor: Marcina Barros

17:30h - Encerramento