Casa da Caridade, 06 de junho de 2010. Não Perca!

"Cada dia a Natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome." Mahatma Gandhi

domingo, 23 de maio de 2010

Espiritismo e Ambiente

Com que fim Deus concedeu a todos os seres vivos o instinto de conservação?
- Porque todos devem colaborar nos desígnios da Providência. Foi por isso que Deus lhes deu a necessidade de viver. Depois, a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres; eles o sentem instintivamente, sem disso se aperceberem.

Deus, dando ao homem a necessidade de viver, sempre lhe forneceu os meios para isso?
- Sim, e se ele não os encontra é por falta de compreensão. Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe dar também os meios. É por isso que faz a terra produzir de maneira a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, pois só o necessário é útil; o supérfluo jamais o é.

Por que a terra nem sempre produz bastante para fornecer o necessário ao homem?
- É que o homem a negligencia, o ingrato, e no entanto ela é uma excelente mãe. Frequentemente ele acusa a Natureza pelas conseqüências da sua imperícia ou da sua imprevidência.(...)

O conteúdo acima não foi extraído de um tratado recentemente escrito acerca da relação do homem consigo mesmo e com o planeta ou a Natureza, frente às ameaças de desequilíbrio ambiental ou das desigualdades sócio-econômicas. Foram publicadas em 1857 por Allan Kardec e constituem as perguntas 703 a 705 de O Livro dos Espíritos.
Estamos diante da atualidade do Espiritismo. Hoje, contudo, podemos compreender a abrangência de seus postulados, ante as novas questões geradas pela sociedade e suas maneiras de se relacionar consigo mesma e com o ambiente, do qual faz parte.
Certamente no passado as colocações acima foram devidamente contextualizadas na realidade da época. Nos dias atuais se revestem de um teor ampliado, perante a urgência de definirmos novos rumos para a história do planeta com seus habitantes.
A Doutrina Espírita também aborda o tema Ambiente, como não poderia deixar de ser. Cabe-nos como postulantes de seus princípios estudar, compreender e aplicar seu conteúdo. Entender as coisas na ótica do Espiritismo representa levar em conta a inter-relação entre os dois planos da vida, sempre. Isso nos permite ler a realidade numa linguagem mais rica de dados, num horizonte mais amplo de fatos que se encadeiam e dão sentido aos acontecimentos.
Com sua constituição trina, harmonizando ciência, filosofia e religião, o pensamento espírita coloca o homem diante de sua própria história.
Como diz a resposta dos Espíritos à questão 703 acima, ao homem é dado o poder de colaborar com a Providência Divina. Possivelmente quando Jesus anunciou o “vós sois deuses” já queria desenvolver a consciência desse compromisso do homem, criado à semelhança do Pai.
Como espíritas, pensamos que é oportuno construirmos o conhecimento da Doutrina aplicada às questões ambientais. Pois como cidadãos há posições a tomar, que devem repercutir nossa compreensão da vida na sua dinâmica imortalista. Como habitantes do planeta é inestimável entender seus movimentos, e se o fazemos numa leitura na dimensão do Espírito, o faremos mais amplamente. Como integrantes da cadeia de seres vivos imersos na Natureza, é emergente a sensibilização com suas leis, refletivas da concepção divina do Universo.
“Espiritismo e Ambiente” é o tema central da primeira edição do nosso Encontro. Possamos desdobrá-lo no formato de atitude pela conservação do planeta e da vida que nele habita.

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